quarta-feira, 20 de abril de 2016

OS VINHOS E SEUS AROMAS




Você já se deparou com aquela cena em que seu amigo entendido (ou que pensa ser) bebe o primeiro gole de vinho e afirma ter "notas de framboesa", "aromas de carvalho", "persistente na boca", e você pensa: Pra que tanta frescura, vinho é vinho, 'bora' brindar e aproveitar cada taça! 


Bem, posso dizer que você está certo pois como já diz o ditado: Vinho bom é vinho que me faz bem" mas tenho que dizer que teu amigo também pode estar certo pois é possível sim identificar muitas sensações em uma taça de vinho, entre elas os aromas que são associações que nosso cérebro pois está diretamente relacionado ao estímulo dos sentidos humanos e, por isso, o aroma torna-se um atributo tão importante.


A Revista Adega divulgou uma matéria bastante interessante e bem explicativa sobre esse tema, confira:


Os compostos de aroma que são inalados e veiculados com o ar sensibilizam cílios específicos dos neurônios, que se estendem desde o bulbo olfativo até a mucosa. Esses neurônios transmitem todo o sinal recebido e as informações são levadas ao cérebro, que processa os estímulos e os transforma em sensações.

Dessa forma, uma conexão direta entre cérebro e receptores olfativos é criada, fazendo com que cada vez que sintamos um aroma esses sinais olfatoriais sejam traduzidos como um odor particular. 


Daí vem a capacidade, em maior ou menor escala, dos especialistas e amadores em descrever os aromas do vinho das formas mais inusitadas possíveis, sendo que as analogias são feitas com base no nosso histórico de conhecimento e associação.





Se já é difícil identificar um composto isolado, a tarefa torna-se ainda mais complexa quando pensamos no vinho, que chega a ter mais de 500 compostos voláteis que, juntos, são responsáveis pela formação do seu aroma característico. Quando diversos compostos de aroma estão presentes ao mesmo tempo na cavidade olfativa, o resultado da percepção global é diferente da soma da percepção de cada um dos compostos isolados. Dessa forma, a tarefa de descrever seus aromas é tão subjetiva quanto o próprio prazer de se gostar de vinho.

PRIMÁRIOS, SECUNDÁRIOS, TERCIÁRIOS: 


O QUE SÃO?

Os aromas primários são caracterizados por compostos naturalmente encontrados nas uvas e que se mantiveram presentes durante o processo de vinificação. Enquanto isso, os aromas secundários são gerados principalmente durante a fermentação, quando se forma, qualitativa e quantitativamente, o maior número dos compostos voláteis presentes no vinho. Já os aromas terciários são gerados durante a maturação ou envelhecimento, seja no barril, tanque ou mesmo na garrafa, após a etapa de vinificação.


E os aromas e bouquês?
O aroma específico da uva pode ser mais bem caracterizado em vinhos jovens e varietais, como os reconhecidos aromas de lichia em vinhos da variedade Gewürztraminer ou groselha e ameixa com Cabernet Sauvignon. Enquanto isso, o termo "buquê" tende a se referir ao cheiro do vinho formado como parte do seu desenvolvimento durante a fermentação e maturação. Durante a fermentação, a quantidade de compostos químicos produzidos aumenta e se diversifica significativamente, chegando a ser considerada por muitos como a "fábrica" dos aromas da bebida e muito importante para o seu buquê final. Não obstante, a maturação pode ser crucial para muitos vinhos, de acordo com o interesse e as características que se deseja agregar/modificar no produto, pois nessa etapa os aromas formados são mais complexos. Durante o envelhecimento, as reações químicas entre ácidos, açúcares, álcoois e compostos fenólicos podem resultar em novos compostos de aroma que são importantes para o buquê de muitos vinhos, como o toque de mel de um Sauternes envelhecido ou as famosas trufas de um Pinot Noir.


Deve-se observar a importância da concentração em que os compostos de aroma são encontrados no vinho, pois, como são moléculas potentes, ainda que seja um aroma agradável e importante na concentração adequada, quando presente em níveis elevados também poderá ser considerado um aroma desagradável.

Texto adaptado da Revista Adega

domingo, 17 de abril de 2016

Vale del Maipo no Chile



Dos oito dias que estivemos no Chile, ficamos os três primeiros em Santiago hospedados no Bad em Wine , em quarto com banheiro privado mas eles têm opções de quartos com banheiro compartilhado com custo menor. Optamos por esse hotel por ser perto da estação de metrô de Santiago, de alguns pontos turísticos como o Cerro de San Cristóbal e do Pátio Belavista (que viramos fãs e fomos jantar lá todas as noites que estivemos na capital).


O hotel não tem nada de luxo mas é super confortável e com atendimento do tipo "sinta-se em casa", nos sentimos muito acolhidos. Pagamos muito barato (cerca de U$D 55,00), então só poderíamos exigir uma boa cama e chuveiro mas eles ainda oferecem um café da manhã simples e se não for suficiente, pertinho do Hotel tem uma Starbucks. 

Primeiro dia:

Chegamos a tarde na cidade, no Hotel mesmo pegamos um mapa e com as boas orientações do Enio, fomos a pé conhecer o Cerro de San Cristóbal que fica junto ao Zoológico da cidade e a noite fomos curtir um bar no pátio Belavista (era caminho da volta para o hotel). 


Subimos no morro com um carrinho chamado "Funicular", chegando no topo, a vista da cidade é linda e vale a pena sentar e curtir o momento. 

Capela do Cerro de San Cristóban 


Vista de Santiago 

E acabamos a boite com uma boa pizza, espumante em taça pra mim e chop para ele em um dos diversos restaurantes do Pátio Belavista. Este lugar é uma espécie de shopping aberto de bares, wine bar e restaurantes. 

O Chile tem muita influência da gastronomia Peruana, então além do famoso salmão Chileno, pode-se encontrar os mais variados tipos de ceviche, tudo acompanhado de muito vinho e espumantes locais. 




Segundo dia:

Para você entender como funcionam os vinhedos por lá (pois eu desconhecia até pesquisar e chegar lá), o Chile possui oito vales produtores de vinhos, cada um deles fica em uma região do país e têm suas uvas características de cada região. 

O Vale del Maipo (em Santiago), é um dos mais antigos e clássicos.

Agora sim... um dia inteiro nas vinícolas Santa Rita e Concha Y Toro.

Quando ainda estava em casa, planejando a viagem, reservei todos os hotéis e vinícolas que gostaria de ir, como sempre fazemos nossas viagens por conta própria, acreditei que reservar as vinícolas de forma particular, sairia mais barato mas me enganei pois no dia anterior que conhecemos o Cerro de San Cristóban, nos deparamos com uma das inúmeras lojas da empresa Turistik que são espalhadas pela cidade. 


Eu havia reservado de casa a Undurraga e Santa Rita porém em média $ 22.000 cada uma para cada pessoa. Chegando na loja da Turistik, nos ofertaram o Tour Concha Y Toro + Santa Rita por $ 49.000 as duas, para cada pessoa. Fechamos com eles já que por conta teríamos que ir ou de metrô e ônibus ou taxi, o que nos faria gastar ainda mais. 

Nosso ônibus nos pegou no Hotel as 8:30h com destino a Viña Santa Rita. Chegando lá fizemos um passeio pelos jardins da vinícola, conhecemos a capela da família que lá antes residida, conhecemos os parreirais e finalmente fomos encaminhados a sala de degustação onde experimentamos um branco e dois tintos. Gente, aqui vai um desabafo.. pra quem já conhece as vinícolas chilenas e tem o hábito de comprar algumas garrafas aqui no Brasil, quando chegar lá você terá vontade, assim como eu, de levar todas as garradas. Pra ter uma ideia, uma garrafa que aqui custa R$ 150,00, lá eu paguei menos de R$ 40,00 (já contando a conversão e o IOF do cartão). 





Degustação: cada um com sua taça e muitos brindes! 


Provando a uva Cabernet Souvignon 

Depois da Viña Santa Rita, paramos pra almoçar em um restaurante típico chileno chamado Eskenazo que foi proposto pela Turistik. E gente, aqui vai meu agradecimento (que sei lá se alguém da empresa vai ler esse post) ao guia Felipe que nos acompanhou pois o menino era uma simpatia só e ajudou o grupo até no restaurante na hora dos pedidos pois os garços só falam espanhol então o grupo de coreanos que estava conosco só conseguiu almoçar por conta do auxílio simpático Felipe... ehehehe 

Mesa ao ar livre no Restaurante Eskenazo 

Pedi uma taça de vinho branco de uma vinícola local e pequena e meu esposo uma cerveja. Não tivemos sorte com nossos pedidos pois levaram exatamente uma hora para chegar e recebi meu salmão totalmente cru (até um pouco frio por dentro) quando tivemos que agradecer e cancelar o pedido pois nosso grupo todo já havia almoçado e nosso ônibus quase partindo para a Cocha Y Toro.

O garçom desculpou-se muito (e nessa hora quem nos salvou e evitou uma "bebedeira" foi o santo do pão que tinha no couvert), dividimos o prato do meu esposo e logo recebemos mais um dose de cada bebida por conta da casa e mais duas cervejas artesanais... acho mesmo que estavam querendo nos alimentar de bebidas... heheheeh mas enfim, como eu disse, não tivemos sorte pois o atendimento foi muito bom e todos do nosso grupo estavam satisfeitos. 

A tarde, partimos para a Concha Y Toro, fizemos um tour com um guia brasileiro e conhecemos a famosa lenda do Casilleiro del Diablo, as caves subterrâneas e um rápido tour pelos jardins que antes pertenciam à família. Esta vinícola tem um apelo muito mais comercial do que turístico, o guia parecia estar ligado no automático com texto decorado na ponta da língua. Este foi o único tour em português nas várias vinícolas que fomos (e vamos falar de todas aqui) mas o menos simpático de todos. Mas enfim.. como todo tour acaba na sala de degustação, fechamos com chave de ouro!







A famosa lenda do Casilleiro del Diablo 

A melhor parte: degustação! 

Terceiro dia:

Para esse terceiro dia ainda em Santiago, tiramos o dia livre para conhecer os pontos turísticos da cidade. A empresa Turistik oferece um tour por Santiago, que custa o equivalente a R$ 120,00, você entra em um ônibus e pode parar nos pontos e subir e descer quantas vezes quiser, pois vão passando outros carros de tempos em tempos. Fizemos um tour semelhante a este quando fomos para Montevidéu no Uruguai mas pagamos um valor bem em conta. 






Então fizemos o seguinte, com o mapa da cidade e seus pontos turísticos na mão e as dicas que pegamos no nosso hotel com o Enio, tomamos um metrô na estação Salvador (bem pertinho do nosso hotel) e descemos na estação U. Chile. Saímos bem cedo, com tênis e roupas confortáveis e bem dispostos a caminhar muito.

Percorremos umas 5 horas de caminhada, entre paradas nos pontos e paradas para almoçar ou para o famoso Helado a tarde. 

Gostamos muito de conhecer Santiago a pé pois além economizar, pudemos explorar os lugares da nossa forma, no nosso tempo.




Pausa para almoçar no Chinchinero Sanguicheria & Cervecería. Sim sanduíches e cervejas pois nem só de vinho vive o Chile e nem o turista brasileiro, que adora uma cervejinha. 







Aqui terminou nossos 3 dias em Santiago, espero que tenham gostado desse primeiro post das nossas férias no Chile. Se tiverem alguma dúvida sobre a nossa viagem ou alguma conhecimento que queiram compartilhar, fique a vontade para comentar aqui. 

No dia seguinte, alugamos um carro e partimos para o Vale de Casablanca. Aguarde que na próxima semana escrevo mais!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Chile e seus vinhedos fantásticos







Oi pessoal,


Vou começar hoje a escrever sobre as férias que meu esposo e eu passamos no Chile.


Quando decidimos viajar pro Chile, o objetivo maior era, claro, desbravar as inúmeras vinícolas que o país tem mas tínhamos muitas dúvidas de quais conhecer, como são divididos os Vales e se são perto um do outro, contratar guia ou ir por conta, de ônibus ou de carro, onde se hospedar, se vale a pena levar dinheiro em espécie ou não.. enfim, se você também tem dúvidas como essas, então acompanhe o Blog que vamos contar tudinho dos nossos 8 dias no Chile!!



Como irei dividir os posts:

Vale Del Maipo (fica em Santiago mesmo):


Viña que conhecemos: Concha Y Toro e Santa Rita

Conhecendo os principais pontos turísticos de Santiago a pé

Onde hospedar-se, onde comer e quanto gastamos.

Vale Do Casablanca (cidade Casablanca):


Viña que conhecemos: Viña Del Mar e Indómita

Como ir de Santiago a Casablanca

Onde hospedar-se, onde comer e quanto gastamos.

Conhecendo Valparaíso e Viña del Mar 

(pois não passamos a viagem só em vinhedos...kkkk):

Como ir de Casablanca a Valparaíso

Onde hospedar-se, onde comer e quanto gastamos.

Vale Do Colchagua 

(cidades principais são San Fernando e Santa Cruz):


Viña que conhecemos: Vinã Viu Manent, Montgras e Casa Silva

Como ir de Valparaíso ao Colchagua

Onde hospedar-se, onde comer e quanto gastamos.